sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Ai daqueles que nunca tiveram uma briga,
Ai daqueles que deixaram a mágoa virar chaga antiga,
Ai daqueles que não sabem que amar é pão feito em casa,
Ai daqueles que não sabem que a pena só não voa porque não tem asas"

[Leminski]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009



Sonhamos juntos
juntos despertamos
o tempo faz e desfaz
entretanto
não lhe importam
teu sonho
nem meu sonho
somos trôpegos
ou demasiados cautelosos
pensamos que não cai
essa gaivota
cremos que é eterno
este conjuro
que a batalha é nossa ou de nenhum
juntos vivemos
sucumbimos juntos
porém essa destruição é uma brincadeira
um detalhe
uma rajada
um vestígio
um abrir-se e fechar-se
o paraíso
já nossa intimidade
é tão imensa
que a morte a esconde
em seu vazio
quero que me relates
o duelo que te cala
por minha parte te ofereço
minha última confiança
estás sozinha
estou sozinho
porém às vezes
pode a solidão
ser uma chama
[Mário Benedetti]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os Três Mal-Amados

[João Cabral de Melo Neto]


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte

domingo, 8 de fevereiro de 2009


Não pise na grama, oquei?
[Foto: Simone Carvalho]

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009











O GNT exibe a quarta temporada de “Weeds”, uma comédia de humor negro que conta a história do fictício subúrbio de Agrestic, na Califórnia, e de seus moradores, onde alguns deles estão envolvidos na distribuição e consumo de maconha.
É o caso de Nancy Botwin (Mary-Louise Parker). O marido dela morre sem lhe deixar nenhum dinheiro e para sustentar a família, Nancy começa a comercializar drogas entre os moradores e surpreende-se com o número de conhecidos que se tornam consumidores; entre eles o seu advogado, Dean Hodes e seu contador, Doug Wilson.
A quarta temporada traz novas aventuras de Nancy em seu negócio ilícito e na vida em família.
Weeds – 4ª temporada - INÉDITO
Estréia na segunda-feira, 5 de janeiro, às 23h30
Horários alternativos: quintas, às 2h30 e 23h

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

[Lençóis-BA] [Fotos: Simone Carvalho]



ontem éramos o que tu és
amanhã serás o que nós somos
[Lençóis - Bahia] [Foto: Simone Carvalho]

Preto Velho e Pai João
[Foto: Simone Carvalho]


02/02 Dia de Iemanjá

[Foto: Simone Carvalho]