segunda-feira, 22 de junho de 2009

VERSOS ÍNTIMOS

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos)

sábado, 20 de junho de 2009

O grito é a fuga do silêncio
O prenúncio de um gozo ou um sinal de dor
Pode ser um aval para o covarde
Ou para a alegria olímpica do vencedor
Não raro é um xodó de psiquiatras
Ou simplesmente um deleite para quem gosta de gritar
O grito, pai da palavra, sogro do pânico, primo do desespero,
Neto da vida e da morte, filhote do entusiasmo e da euforia
A certeza da certeza faz o louco gritar
Gritar, gritar, gritar

Grito de carnaval, grito de guerra
Geralmente as vaias são o grito do minuto de silêncio
Grita o coro da tragédia
Gritam também as menininhas da platéia
O grito é o mantra do condenado
Ou do atingido pela sorte de um bilhete de loteria
Grita a boca desgrenhada do ventre anunciando a fome
Grita o pastor esconjurando demônios na sua liturgia
A certeza da certeza faz o louco gritar
Gritar, gritar, gritar

[Lobão]

terça-feira, 2 de junho de 2009


Fotos do quase conterrâneo: Evandro Teixeira

Algumas crateras da lua por Cecílio Bastos




















Dica: Blues Bar
[Olinda]


Depois de fantasiar Brennand.
[molhe dos arrecifes] [Foto: Simone Carvalho]





















































































2005 - Feira de São Joaquim - Salvador - Bahia
[Fotos: Simone Carvalho]




















Festa da Marujada em Curaça - Bahia
Foto: Cecílio Bastos

domingo, 31 de maio de 2009





















'jogo-da-memória-versão-Faltesek'
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa...

Peste bubônica
Câncer, pneumonia
Raiva, rubéola
Tuberculose e anemia
Rancor, cisticircose
Caxumba, difteria
Encefalite, faringite
Gripe e leucemia

E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa

Hepatite, escarlatina
Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo
Esquizofrenia
Úlcera, trombose
Coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes
Asma, cleptomania...

E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim...

Reumatismo, raquitismo
Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose
Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide
Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie
Câimba, lepra, afasia...

O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco

[Arnaldo Antunes]

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Assim também a mulher é sempre mulher, isto é, sempre louca, seja qual for a máscara sob a qual se apresente. Não quero, todavia, acreditar jamais que o belo sexo seja tolo ao ponto de se aborrecer comigo pelo que eu lhe disse, pois também sou mulher, e sou a Loucura".
Novamente, Erasmo de Rotterdam (Elogio da Loucura), especialmente para ela, que vai morar na Escandinávia. Uma louca.





















Concorda com quem discorda da nova lei de proibição do cigarrinho!?! Eis a questão, Vinícius.
[Foto: Antônio Guerreiro]

segunda-feira, 25 de maio de 2009






















Baby Consuelo (na-boquinha-da-garrafa) por Antônio Guerreiro (abaixo)










"Nasci nas ilhas Fortunadas, onde a natureza não tem necessidade alguma da arte. Não se sabe, ali, o que sejam o trabalho, a velhice, as doenças; nunca se vêem, nos campos, nem asfódelo, nem malva, nem lilá, nem lúpulo, nem fava, nem outros semelhantes e desprezíveis vegetais. Ali, ao contrário, a terra produz tudo quanto possa deleitar a vista e embriagar o olfato: mólio, panacéia, nepente, manjerona, ambrósia, lótus, rosas, violetas, jacintos, anêmonas. Nascida no meio de tantas delícias, não saudei a luz com o pranto, como quase todos os homens: mas quando fui parida, comecei a rir gostosamente na cara da minha mãe. Não invejo, pois, ao supremo Júpiter, o ter sido amamentado pela cabra Amaltéia, pois que duas graciosíssimas ninfas me deram de mamar: Mete*, filha de Baco, e Apédia**, filha de Pã. Ainda podeis vê-las, aqui, no consórcio das outras minhas sequazes companheiras. Se, por Júpiter, também quereis saber os seus nomes, eu vo-los direi, mas somente em grego."
(Elogio da Loucura -Erasmo de Rotterdam)
*Mete, a Embriaguez
**Apédia, a Imperícia

domingo, 24 de maio de 2009


sábado, 23 de maio de 2009


[Lençóis]
[Foto: Simone Carvalho]

quinta-feira, 23 de abril de 2009





Filtros dos sonhos
[Foto: Simone Carvalho]


A caminho do Serrano ...
[Foto: Simone Carvalho]
beijo.jpg
[Foto: Simone Carvalho]

terça-feira, 24 de março de 2009


Barra do Paraguaçu /BA - 2009
[Fotos: Simone Carvalho]

terça-feira, 17 de março de 2009

The Way You Look Tonight‏

Some day, when I'm awfully low
When the world is cold
I will feel a glow just thinking of you
And the way you look tonight

You're so lovely, with your smile so warm
And your cheeks so soft
There is nothing for me but to love you
And the way you look tonight

With each word your tenderness grows
Tearing my fears apart
And that laugh that wrinkles your nose
Touches my foolish heart

Yes you're lovely, never ever change
Keep that breathless charm
Won't you please arrange it?
'Cause I love you
Just the way you look tonight

With each word your tenderness grows
Tearing my fears apart
And that laugh that wrinkles your nose
Touches my foolish heart

Yes you're lovely, never ever change
Keep that breathless charm
Won't you please arrange it?
'Cause I love you
Just the way you look tonight
Just the way you look tonight
Darling
Just the way you look tonight

[Dorothy Fields / Jerome Kern]

Das Pedras

Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta e no alto subi.
Teci um tapete floreado e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra
Entre pedras cresceu a minha poesia.
Minha vida…Quebrando pedras e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude dos meus versos.
[Cora Coralina]

quinta-feira, 5 de março de 2009





















































"mini-férias"
[Fotos: Simone Carvalho]

Andiroba:
Combate à preguiça
[Arauá - Fev. de 2009][Foto: Simone Carvalho]

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Ai daqueles que nunca tiveram uma briga,
Ai daqueles que deixaram a mágoa virar chaga antiga,
Ai daqueles que não sabem que amar é pão feito em casa,
Ai daqueles que não sabem que a pena só não voa porque não tem asas"

[Leminski]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009



Sonhamos juntos
juntos despertamos
o tempo faz e desfaz
entretanto
não lhe importam
teu sonho
nem meu sonho
somos trôpegos
ou demasiados cautelosos
pensamos que não cai
essa gaivota
cremos que é eterno
este conjuro
que a batalha é nossa ou de nenhum
juntos vivemos
sucumbimos juntos
porém essa destruição é uma brincadeira
um detalhe
uma rajada
um vestígio
um abrir-se e fechar-se
o paraíso
já nossa intimidade
é tão imensa
que a morte a esconde
em seu vazio
quero que me relates
o duelo que te cala
por minha parte te ofereço
minha última confiança
estás sozinha
estou sozinho
porém às vezes
pode a solidão
ser uma chama
[Mário Benedetti]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os Três Mal-Amados

[João Cabral de Melo Neto]


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte

domingo, 8 de fevereiro de 2009


Não pise na grama, oquei?
[Foto: Simone Carvalho]

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009











O GNT exibe a quarta temporada de “Weeds”, uma comédia de humor negro que conta a história do fictício subúrbio de Agrestic, na Califórnia, e de seus moradores, onde alguns deles estão envolvidos na distribuição e consumo de maconha.
É o caso de Nancy Botwin (Mary-Louise Parker). O marido dela morre sem lhe deixar nenhum dinheiro e para sustentar a família, Nancy começa a comercializar drogas entre os moradores e surpreende-se com o número de conhecidos que se tornam consumidores; entre eles o seu advogado, Dean Hodes e seu contador, Doug Wilson.
A quarta temporada traz novas aventuras de Nancy em seu negócio ilícito e na vida em família.
Weeds – 4ª temporada - INÉDITO
Estréia na segunda-feira, 5 de janeiro, às 23h30
Horários alternativos: quintas, às 2h30 e 23h

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

[Lençóis-BA] [Fotos: Simone Carvalho]



ontem éramos o que tu és
amanhã serás o que nós somos
[Lençóis - Bahia] [Foto: Simone Carvalho]

Preto Velho e Pai João
[Foto: Simone Carvalho]